Thursday, 16 April 2009

Acalanto.

Quem começa, quem inicia,
não é nem dantes quem finda.
Quem ama, quem por mim clama
muda e re-muda e no fim sempre é chama.

Abraço dos braços, desses agarros
dos raros, de meu e teus amarros.
Das mãos entrelaçadas abençoadas
em festa rebuliço das pessoas amadas.

Quem corre, é lágrima que escorre
que passa e embaça, com sorrir jamais concorre.
Que perde, nem impede,
o beijo que o olhar tanto pede.

Trama, em tantas e conquantas
já deixou-se carinho vir sem contas.
Mas ama, única, uma, a que emana
a calma, da alma que ela embala e não engana.

Thursday, 9 April 2009

Outono.

As folhas caem, formam caminhos,
vastos jardins, secos, ocres, mortos.
Morte que vem, transforma-se em frio.
Morte que vem para trazer flores, vida.

Mostra no vento, simplicidade... Silêncio.
Doce murmúrio do vento, uni-se, doce,
ao canto das folhas, estas que se rompem.
Não há mais nada, és pura beleza!

Ao sentar-se sob o manto formado,
sentir a chuva cadavérica,
observe a vida que se movimenta...
Doce, doce clamor lúdico

Como que sentimento, invade.
Como que musa, inspira.
E fechando os olhos,
posso quase tocar, sentir e amar.

Amo a morte que trás,
na certeza de um novo início,
certeza que teu mal é meu bem.
Ah! És o Outono, passageiro.

Sunday, 5 April 2009

Wine.


Que é por ele que meu ser pulsa em constância do inconstante,
perdendo os movimentos por saber que já somos nosso momento.
Que é por ele que meu eu exulta nas idas e vindas,
pois é ele que me faz sentir a mais linda.

Como que gritando pelos ventos,
apenas conhecendo os eventos,
eu sinto que não há mais sofrimento,
que contigo tudo já é sentimento.

Tu és aquele que me faz saber,
que existir não é apenas o tal Crer.
Tu és aquele que me faz sorrir
só por saber que não jamais vais partir.

E eu vou contigo para onde for,
vou contigo e todo o meu Amor.
E eu vou contigo para onde for,
vou decorando o caminho com toda-flor.

Contigo e em ti, não haveria de haver um medo.
Contigo e em ti, ganha mais cor todo o meu enredo.
Contigo e em ti, eu sei que sou sendo viva-flor.
Contigo e em ti, eu sei que supero qualquer dor.

E no sem-fim,
desse nosso mundo enfim,
eu grito, eu murmuro, eu clamo:
Pois tu és quem tanto amo.

Saturday, 4 April 2009

Não:

Caminha por lá,
volta-se para cá.
Esquece! Já se vá.

Que a formosa te abandonou.
Que a bela já se transtornou.
E no fim ninguém te sobrou.

Sorrio, rindo;
sorrio tão bem fingindo.
Sorriso das cores que fui tingindo.

E paro, e penso.
Reparo, sem senso.
Amparo, e já esqueço.

De tudo que ficou no esquecimento,
de tudo a vir-a-ser sentimento.
Soprando, vagando, como que vento.

Vou, e fico.
Flutuo, e beatifico:
O mal do bem, do bem intrínseco.

Caminha por lá,
volta-se para cá.
Esquece! Já se vá.

Thursday, 2 April 2009

I.

Que digo: Tu és rei!
Desse reinado Coração.
Que digo: Tu és tudo que sei!

Um abrigo, um amigo
sem nenhuma razão.

Um amar, um chorar
de todas as coisas que são.

Pois tu és rei!
Desse reinado Coração.
Pois tu és tudo que sei!

Em ciclo, consiso,
é em ti que vivo.

Em sopro disso:
Meu Eu! não sobrevivo.

Para longe de ti
sigo longe de mim,
desde que te vi partir.

Fui contigo sem fim.
Fui sempre te dizendo sim.